Santos melhora frequência da coleta seletiva, mas reciclagem ainda está longe do ideal

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A ampliação da coleta seletiva em Santos, que passou a ocorrer duas vezes por semana em todos os bairros no início de maio, já começou a produzir efeitos na organização do serviço, segundo a Prefeitura. A administração municipal afirma que a mudança trouxe melhora na rotina de condomínios e estabelecimentos, principalmente por ampliar a possibilidade de descarte e reduzir o intervalo entre as coletas.

De acordo com o secretário de Governo, Fábio Ferraz, um dos focos da nova fase é estimular o uso do aplicativo Conecta Terra Santos Ambiental, lançado junto com o novo cronograma. A ferramenta permite acompanhar em tempo real o trajeto dos caminhões, além de indicar a média de horário em que a coleta costuma passar em cada endereço com base nos últimos 30 dias. A proposta é fazer com que moradores, síndicos e responsáveis pela retirada dos resíduos deixem o material para fora mais perto do horário do recolhimento, evitando exposição prolongada nas ruas.

A Prefeitura tem direcionado a campanha principalmente a condomínios e comerciantes, levando em conta o alto grau de verticalização da cidade. A avaliação do governo municipal é que o novo sistema qualifica não apenas a coleta seletiva, mas também a rotina geral de recolhimento urbano. Pouco mais de duas semanas após o lançamento, mais de 3 mil pessoas já haviam baixado o aplicativo, segundo a administração.

Apesar do avanço logístico, o desafio central continua sendo o baixo volume efetivamente reciclado. Segundo a Prefeitura, menos de 7% do potencial total de resíduos produzidos em Santos é de fato separado para reciclagem. Entre os principais erros apontados está o descarte de materiais recicláveis ainda contaminados por resíduos orgânicos, como embalagens de iogurte, potes e recipientes sem limpeza adequada.

A administração municipal reforça que resíduos recicláveis devem ser ensacados e colocados na fachada das residências no dia correto da coleta, e não nos contentores comuns. Também alerta que itens como restos de comida, óleo de cozinha, pilhas, baterias, lâmpadas e eletrônicos não devem ser destinados à coleta seletiva convencional.

Na prática, Santos conseguiu melhorar a frequência do serviço, mas ainda esbarra em um problema mais profundo: a distância entre a estrutura disponível e o comportamento efetivo da população na separação correta do lixo. O novo cronograma e o monitoramento digital representam avanço operacional, mas a reciclagem continuará limitada enquanto a adesão qualificada seguir abaixo do necessário.

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