Pesquisadores estão testando uma ideia incomum para retardar o desaparecimento do gelo marinho no Ártico: bombear água sobre a superfície congelada para aumentar sua espessura e tentar prolongar sua sobrevivência durante o verão. Os primeiros experimentos de campo, realizados no Canadá e na Noruega em 2024 e 2025, mostraram que o gelo realmente pode ficar mais espesso, mas os efeitos sobre o derretimento ainda seguem incertos.
A proposta se inspira no método usado por estradas de gelo no Canadá, onde água é bombeada sobre a superfície congelada para reforçar a estrutura. Nos testes do Ártico, uma equipe conseguiu elevar a espessura do gelo de 90 centímetros para 1,16 metro em Svalbard, enquanto outra, ligada à empresa Real Ice, engrossou áreas na Passagem do Noroeste até uma média de 1,93 metro, acima dos locais de controle.
O problema é que engrossar não significa necessariamente preservar. No experimento norueguês, o gelo tratado começou a se deteriorar mais tarde, mas desapareceu no mesmo dia que o gelo não manipulado. Já no Canadá, sensores indicaram que algumas áreas podem ter durado algo entre sete e dez dias a mais que a média histórica. Há ainda uma preocupação importante: quando a água do mar congela, ela libera salmoura, o que pode deixar o gelo mais salgado e poroso, potencialmente acelerando seu desgaste.
Os defensores do método argumentam que, se ele funcionar, poderá aumentar a refletividade do gelo e ajudar a reduzir o aquecimento local. Mas críticos dizem que os resultados ainda são insuficientes, que a técnica teria uso limitado mesmo no melhor cenário e que soluções desse tipo podem desviar a atenção do problema central: a necessidade de reduzir emissões. Por enquanto, a conclusão é que o experimento merece mais alguns anos de pesquisa, mas está longe de ser uma resposta comprovada para a crise do gelo no Ártico.


