O maior estudo genético já feito sobre Alzheimer identificou 127 regiões do genoma associadas à doença, sendo 48 delas nunca antes ligadas ao problema. O trabalho também apontou genes que podem ganhar prioridade no desenvolvimento de medicamentos e reforçou o papel de determinados tipos de células cerebrais e do sistema imune no avanço da condição.
A pesquisa analisou dados genéticos de quase 110 mil pessoas com diagnóstico de Alzheimer, além de dezenas de milhares de indivíduos com histórico familiar da doença e mais de 2,6 milhões de pessoas sem o quadro. O resultado amplia significativamente o mapa genético conhecido da enfermidade e ajuda a explicar por que o Alzheimer é tão fortemente herdável, ainda que a genética não determine sozinha quem vai desenvolver o problema.
O estudo reforça a ideia de que o Alzheimer não gira apenas em torno do acúmulo das proteínas amiloide e tau. Os novos achados destacam também a participação de genes ligados à imunidade e à neuroinflamação, além de alterações de expressão genética em neurônios que estão entre os primeiros a desaparecer no cérebro afetado pela doença. Isso fortalece a tese de que futuros tratamentos talvez precisem combinar diferentes abordagens, e não apenas insistir em uma única via biológica.
Entre os alvos apontados como mais promissores, há genes ligados à resposta imune e outros associados a diferentes doenças neurodegenerativas. Especialistas avaliam que o avanço pode melhorar tanto a busca por remédios quanto a capacidade futura de prever risco com mais precisão, embora ainda exista limitação importante: a maioria dos participantes do estudo tinha ancestralidade europeia, o que reduz a representatividade global dos resultados.


