O Operador Nacional do Sistema Elétrico acionou pela primeira vez um plano emergencial para reduzir a geração de energia diante de um cenário de oferta elevada e demanda baixa. A medida foi adotada para este domingo e reflete uma combinação que vem se tornando mais frequente no país: forte produção solar durante o dia e consumo mais fraco, especialmente em fins de semana.
Segundo o ONS, o sistema elétrico precisa manter equilíbrio permanente entre a energia produzida e a consumida. Quando a geração sobe muito acima da demanda, cresce o risco de desligamentos automáticos de equipamentos e até de queda generalizada do sistema. Como o corte inicial nas usinas sob coordenação direta do operador não foi suficiente para conter o excedente, entrou em vigor a nova regra aprovada pela Aneel no fim de 2025.
Na prática, o plano permite reduzir principalmente a energia entregue por usinas solares de pequeno porte, além de microgeradores que não estão conectados ao sistema centralizado de controle. O ONS emite alertas às distribuidoras, que ficam responsáveis por indicar quais unidades terão a geração limitada, em esquema de rodízio para evitar que o mesmo grupo seja afetado repetidamente.
A energia solar é o principal alvo da medida porque sua produção se concentra justamente nas horas em que a demanda costuma ser menor. Mas o mecanismo também pode atingir pequenas hidrelétricas, usinas a biomassa e parques eólicos de menor porte. Para as distribuidoras, o desafio agora é operacionalizar esses cortes com critérios claros, sem gerar insegurança jurídica ou distorções entre os agentes do setor.


