O mercado brasileiro de apostas esportivas e cassinos online mais que dobrou de tamanho nos primeiros quatro meses de 2026 e já movimenta cifras de peso na economia nacional. Dados reunidos pela Folha mostram que o setor faturou R$ 12,2 bilhões entre janeiro e abril, enquanto a arrecadação de impostos chegou a R$ 4,5 bilhões no mesmo período, praticamente o dobro do registrado um ano antes.
A expansão ocorre mesmo em meio ao endurecimento das regras sobre publicidade, à discussão sobre superendividamento e às novas exigências impostas às plataformas legalizadas. Hoje, o país tem 187 sites autorizados em operação, ligados a 85 empresas licenciadas, e a expectativa do setor é de que a Copa do Mundo provoque novo salto no volume de depósitos, com estimativas entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões durante o torneio.
Outro dado que ajuda a dimensionar o fenômeno é o alcance social das apostas. Segundo a Fazenda, 25 milhões de CPFs fizeram apostas em 2025. No primeiro semestre do ano passado, o gasto médio mensal por jogador ficou em R$ 123, valor já descontado de prêmios e devoluções. A atividade virou fonte relevante de receita tributária e já se aproxima, em recolhimento, do que setores tradicionais como tabaco e segmentos do agronegócio pagam em impostos.
Apesar da euforia do mercado regulado, o avanço das bets também ampliou o debate sobre seus efeitos econômicos e sociais. Entidades do varejo e do comércio ligam o crescimento das apostas ao aumento do endividamento das famílias, enquanto o IBJR estima que o mercado ilegal ainda responda por algo entre 41% e 51% de toda a atividade do setor no país.


