A alta dos combustíveis levou uma britânica a tomar uma decisão radical: mudar de cidade e abrir mão do carro para não continuar refém dos gastos com gasolina. Joolz Christie, de 57 anos, trocou a rotina dependente do automóvel por uma vida baseada em bicicleta e transporte coletivo, numa tentativa de reduzir custos e ganhar mais autonomia diante do encarecimento da mobilidade.
Depois de anos vivendo em uma área afastada, onde o carro era praticamente indispensável para tarefas simples do dia a dia, ela decidiu comprar uma casa em Muir of Ord, na Escócia, para se aproximar do comércio local e de conexões de ônibus e trem. A mudança permitiu encerrar o contrato de leasing de um Skoda Kamiq, que custava 156 libras por mês, e reorganizar completamente a rotina de deslocamentos.
A decisão veio após um processo gradual. Durante a pandemia, Christie adotou a bicicleta com mais frequência e passou a enxergar no pedal não apenas uma alternativa econômica, mas também uma forma de melhorar condicionamento físico e saúde mental. O problema era que, no endereço antigo, as estradas ficaram movimentadas demais para o ciclismo cotidiano, sem infraestrutura segura e com pouco transporte público disponível.
Com o avanço do preço dos combustíveis no Reino Unido, o peso financeiro do carro se tornou ainda mais evidente. No momento da reportagem, o litro da gasolina havia chegado a 159,7 pence, pressionado pela crise internacional de energia e pelos efeitos da guerra envolvendo o Irã, que afetou rotas estratégicas do petróleo. Para Christie, sair dessa dependência deixou de ser só uma escolha de estilo de vida e virou também uma questão de sobrevivência financeira.
A história também expõe um problema maior: em muitas regiões, pedalar ou caminhar ainda exige adaptações pessoais pesadas porque a infraestrutura urbana continua favorecendo o carro. No caso dela, a alternativa foi recomeçar em outro lugar. Não é uma saída simples nem acessível para todo mundo, mas ilustra até onde o custo da gasolina pode empurrar decisões que antes pareceriam extremas.


