A Sabesp anunciou a entrada em operação de uma reserva adicional de 20 milhões de litros de água tratada em Itanhaém, com investimento de R$ 85 milhões e promessa de reforçar o abastecimento para cerca de 1,2 milhão de moradores e turistas em Peruíbe, Mongaguá, Praia Grande e na Área Continental de São Vicente. A empresa vende o projeto como um ganho de segurança hídrica, com dois grandes reservatórios ao lado da ETA Mambu-Branco e previsão de expansão ainda maior até outubro.
O problema é que a notícia chega depois de uma sequência de transtornos que já desgastaram a imagem da concessionária na Baixada Santista. Em Vicente de Carvalho, moradores relataram conviver diariamente com um “fiozinho de água” ou até torneiras secas, além da necessidade de ligar bombas todos os dias para conseguir cozinhar, tomar banho e encher a caixa d’água. Ao mesmo tempo, a própria Sabesp admitiu que suas obras espalhadas pela região provocaram 119 alterações temporárias no trânsito, com impactos em cidades como Praia Grande, Guarujá, Peruíbe, Santos e Cubatão.
Na prática, a ampliação da reservação ajuda, mas não apaga o histórico recente de baixa pressão, interrupções no fornecimento e obras que, embora importantes no discurso oficial, vieram acompanhadas de desgaste para moradores. A companhia fala em abastecimento pleno para as próximas décadas e em um pacote de R$ 7,5 bilhões até 2029, mas, para quem passou meses lidando com falta d’água em casa, o anúncio soa menos como solução definitiva e mais como resposta tardia a um problema que já vinha castigando a região.


