O Brasil passou a sediar a maior biofábrica de mosquitos do planeta em uma aposta de escala inédita no combate a doenças como dengue e zika. Instalada em Curitiba, a estrutura produz mosquitos Aedes aegypti tratados com a bactéria Wolbachia, que reduz drasticamente a capacidade de transmissão de vírus.
A lógica da estratégia é simples, embora o impacto seja sofisticado. Ao serem liberados no ambiente, esses mosquitos se reproduzem e espalham a Wolbachia para as gerações seguintes. Com isso, a própria população do inseto passa a carregar uma barreira biológica contra a transmissão das arboviroses.
O método já teria protegido mais de 5 milhões de pessoas em 16 cidades brasileiras, e a expectativa é de crescimento acelerado com a entrada em operação da nova unidade. A biofábrica foi projetada para produzir 100 milhões de ovos por semana, escala suficiente para ampliar a cobertura e transformar o Brasil em vitrine mundial dessa tecnologia.
Em vez de depender apenas de fumacê, campanhas emergenciais e corrida atrás do prejuízo, o modelo aposta em prevenção contínua e mudança estrutural do ambiente epidemiológico. É uma resposta mais ambiciosa a um problema que, ano após ano, pressiona hospitais, prefeituras e famílias.


