O senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, tentou efetivar a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia depois de ser alvo de uma operação da Polícia Federal que apura suspeita de recebimento de propina ligada ao Banco Master. A transação, no entanto, foi barrada em cartório após ordem de bloqueio de bens assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Segundo reportagem do Estadão, a documentação do negócio foi apresentada ao 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari, na Bahia, em 19 de junho. No dia anterior, Wagner havia sido alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero.
A área tem 51 mil metros quadrados, fica na região metropolitana de Salvador e havia sido comprada pelo senador em 2000. A venda foi acertada com uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que controla o Esporte Clube Bahia, em parceria com empresas do setor imobiliário. O terreno deve integrar um empreendimento imobiliário ligado ao novo centro de treinamento do clube.
A diretoria de comunicação do Bahia informou que foram adquiridos terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e que a área de Wagner corresponde a 4% do total. O clube também afirmou que o bloqueio não prejudica a construção do empreendimento.
De acordo com os documentos citados pela reportagem, Wagner havia assinado a escritura com a compradora em 18 de maio. Inicialmente, o pagamento seria feito por meio de uma nota promissória com vencimento em 2029. Depois, a forma de recebimento foi alterada para R$ 2 milhões à vista, já quitados, e outros R$ 13,8 milhões em lotes do empreendimento imobiliário que será construído no local.
A investigação da Polícia Federal apura suspeitas de que Wagner teria solicitado ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões em Salvador que seria destinado à filha do senador. Segundo a apuração, o imóvel teria sido comprado por uma empresa em nome de um laranja, com recursos da corretora Reag, apontada como suspeita de participação em crimes financeiros ligados ao Master.
Além do terreno, Wagner também havia acertado a venda de um apartamento em Salvador por R$ 10 milhões. O imóvel, com quatro suítes e 152 metros quadrados, foi vendido ao prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos de Araújo. A transação foi protocolada em cartório antes da operação da PF, mas também acabou bloqueada após a ordem de André Mendonça.
A defesa do senador negou irregularidades e afirmou que os assuntos relacionados ao caso serão tratados judicialmente. Wagner deixou a liderança do governo no Senado após a operação da PF e atualmente é pré-candidato ao Senado.


