Uma experiência com 12 participantes indicou que ciclos curtos e controlados de dióxido de carbono podem estimular o sistema de remoção de resíduos do cérebro. O trabalho encontrou aumento temporário, no sangue, de proteínas associadas ao Alzheimer, sinal interpretado pelos pesquisadores como possível passagem desses compostos para fora do tecido cerebral.
Durante meia hora, uma máscara alternou a cada 35 segundos o fornecimento de ar com cerca de 0,05% de CO₂ e uma mistura com 5%. A mudança fez os vasos sanguíneos dilatarem e contraírem em ritmo semelhante ao observado durante o sono profundo, impulsionando o fluxo de líquido pelo chamado sistema glinfático.
A equipe identificou aumento de beta-amiloide no sangue dos 12 voluntários. O sinal relacionado à proteína tau apareceu principalmente entre participantes que já apresentavam indícios de declínio cognitivo. Cerca de uma hora após a intervenção, os marcadores voltaram aos níveis anteriores.
Os resultados foram apresentados na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Londres. O tamanho da amostra é insuficiente para mostrar se a técnica reduz placas no cérebro, melhora a memória, previne demência ou altera a evolução da doença. Também não se conhece a segurança de exposições repetidas ou prolongadas.
O estudo amplia uma linha de pesquisa publicada anteriormente na revista npj Parkinson’s Disease. Naquele trabalho, a hipercapnia intermitente aumentou o fluxo de líquido cefalorraquidiano e elevou no sangue marcadores ligados ao Parkinson e ao Alzheimer, mas a fase voltada à medição de proteínas também envolveu um grupo muito pequeno.
Os pesquisadores reforçam que ninguém deve tentar reproduzir a experiência em casa. Concentrações elevadas de dióxido de carbono podem causar efeitos graves e até fatais. Nos estudos, a mistura é administrada com equipamento especializado, controle preciso da dose e monitoramento médico contínuo.
Ensaios maiores precisarão determinar a concentração, a frequência e a duração adequadas, além de verificar se o efeito momentâneo sobre os marcadores produz algum benefício clínico. Até lá, a técnica deve ser tratada como uma hipótese experimental, e não como terapia para Alzheimer ou outras doenças neurodegenerativas.


