Incêndios florestais de grande escala atingem França e Espanha e já obrigaram mais de 300 mil pessoas a deixar áreas ameaçadas. A dimensão das evacuações foi confirmada pela Comissão Europeia, enquanto sucessivas ondas de calor mantêm boa parte do continente sob risco elevado.
No oeste da França, um incêndio próximo a Bordeaux queimou, em seis dias, uma área quase três vezes maior do que a média anual do país entre 2006 e 2025. Nesse período de vinte anos, a França registrou em média cerca de 15 mil hectares atingidos por fogo a cada ano.
Na Espanha, as chamas avançaram em direção à região de Madri. O tempo seco, as temperaturas elevadas e os ventos fortes facilitaram a propagação. Recursos conjuntos de combate a incêndios da União Europeia foram deslocados para apoiar as operações nos dois países.
O problema ocorre após a União Europeia superar 1 milhão de hectares queimados em 2025. Especialistas alertam que 2026 pode ultrapassar esse patamar, porque novas ondas de calor são esperadas e a vegetação permanece ressecada em diferentes partes do continente.
Além da destruição direta, a fumaça representa uma ameaça à saúde muito além das áreas em chamas. Partículas transportadas pelo vento podem agravar doenças respiratórias e cardiovasculares. Estimativas citadas pela publicação apontam que a fumaça de incêndios esteve associada a cerca de 240 mil mortes por ano no mundo durante a década de 2010.
Projeções para um cenário moderado de emissões indicam que esse total pode chegar a 1,4 milhão de mortes anuais no fim do século, considerando também o envelhecimento da população. O número é uma projeção de longo prazo e não corresponde ao balanço da atual emergência europeia.
A resposta combina combate direto, prevenção e monitoramento. Satélites podem localizar focos ainda no início, enquanto drones auxiliam no acompanhamento das frentes de fogo. O material analisado não apresenta um balanço consolidado de mortos e feridos nos incêndios atuais.


