Santos domina, acerta três traves e não sai do 0 a 0 com o Remo: a vaga ficou mais difícil

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Se existisse um troféu para o time que mais joga e menos vence, o Santos seria candidato forte nesta temporada. Na Vila Belmiro, diante do Remo, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, o Peixe finalizou 15 vezes contra 3, carimbou três traves, teve um gol anulado, mandou Neymar comandar o ataque do início ao fim — e mesmo assim ficou no 0 a 0. Um empate sem gols que soa como derrota, porque empurra a decisão da vaga para o Mangueirão, na terça-feira, diante da pressão da torcida paraense. O Santos fez de tudo, menos o essencial: o gol.

Foi a repetição de um roteiro que já virou marca registrada deste time. Volume, posse, chegadas, domínio territorial — e uma incapacidade quase teatral de transformar superioridade em resultado. Contra um Remo aplicado defensivamente e valente nos contra-ataques, a conta não fechou. E agora o Santos vai a Belém obrigado a vencer ou a torcer para decidir nos pênaltis, quando poderia ter encaminhado tudo em casa.

O festival de traves e o gol que não veio

A dominância santista começou cedo e nunca cessou. Logo aos seis minutos, Barreal soltou a canhota e carimbou a trave. Aos 30, foi Lucas Veríssimo quem acertou o travessão num desvio de escanteio, e Gabigol, na linha do gol, furou incrivelmente a chance do rebote — a imagem perfeita da noite santista. No segundo tempo, o Santos ainda teve um gol de Gabigol anulado, além de finalizações de Escobar, Gabriel Menino e do próprio camisa 9, todas paradas em Marcelo Rangel ou na própria imprecisão.

Marcelo Rangel, aliás, foi o grande nome do jogo. O goleiro do Remo fez defesas decisivas em Barreal (duas), em Gabigol e em Escobar, e segurou o empate que, para o time paraense, tem gosto de vitória. Quando não foi o goleiro, foi a trave. Quando não foi a trave, foi a falta de pontaria. O Santos esbarrou em tudo aquilo que atormenta equipes sem confiança: a sensação de que a bola simplesmente não quer entrar.

Neymar participativo, mas sem o brilho decisivo

Neymar foi, de novo, o centro de tudo o que o Santos produziu. Participou das principais jogadas, cobrou faltas e escanteios, armou contra-ataques, cruzou, tentou. Foi o organizador do ataque — mas, mais uma vez, não teve o lampejo decisivo que justifica todo o peso que carrega. Cobrou duas faltas perigosas direto para o gol, ambas defendidas por Marcelo Rangel, e ainda levou um amarelo no fim, por falta sobre Edson Fernando, num sinal da irritação crescente com um jogo que não saía.

Não foi uma má atuação do camisa 10 — foi uma atuação sem o desfecho que dela se espera. E o problema do Santos é justamente esse: depender tanto de um jogador para criar e, ainda assim, não conseguir marcar nem quando ele joga bem. Quando o principal nome produz e o time não converte, a fragilidade é coletiva.

O Remo fez o seu papel

Do outro lado, o Remo soube exatamente o que fazer. Fechou-se com disciplina, aguentou a pressão, apostou nas transições com Jajá e Alef Manga — que também acertou uma bola no travessão logo aos nove minutos, em chutaço de longe — e levou para casa o resultado que queria. Um 0 a 0 fora de casa, contra um adversário de camisa muito mais pesada, que deixa o confronto completamente aberto e joga a favor da equipe paraense na volta, no caldeirão do Mangueirão.

Para um time de série inferior, segurar o Santos na Vila e sair com a vaga em aberto é um pequeno triunfo. Fez por merecer, com organização e coragem.

O que fica

O Santos volta a Belém na próxima terça-feira precisando fazer o que não conseguiu em casa: marcar. Um empate com gols já classifica o Remo pelo critério do gol fora ter sido abolido, o que significa que o Peixe terá de vencer no tempo normal ou levar a decisão para os pênaltis — um cenário sempre imprevisível, ainda mais fora de casa e com a pressão da torcida adversária.

Era para ter sido resolvido na Vila. Não foi, porque este Santos transformou o desperdício num hábito. Domina, cria, finaliza à exaustão — e para na trave, no goleiro, na própria falta de pontaria. Contra o Remo, a superioridade foi gritante no campo e nula no placar. E, no futebol, é o placar que classifica. O Santos vai a Belém com a vaga mais difícil do que precisava ser, pagando o preço de sempre: o de um time que faz tudo, menos vencer.

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