Abelhas e beija-flores são decisivos para a produção de sementes viáveis de canelas-de-ema, plantas características dos campos rupestres. Um estudo realizado na Serra do Cipó, em Minas Gerais, mostra que até espécies capazes de autofecundação dependem fortemente dos animais para manter a reprodução e a diversidade genética.
Os pesquisadores acompanharam 13 espécies do gênero Vellozia durante dois anos. O trabalho comparou flores polinizadas manualmente, flores abertas aos visitantes naturais e flores protegidas por sacos que impediam o contato com pássaros e insetos.
Câmeras com sensores de movimento identificaram beija-flores, abelhas sem ferrão e abelhas-africanizadas entre os visitantes. Depois da floração, a equipe contou frutos e sementes e verificou em laboratório a capacidade de germinação.
Em sete das 11 espécies submetidas aos testes controlados, nenhuma semente ou fruto foi produzido quando os polinizadores ficaram bloqueados. Nos casos em que houve autofecundação, muitas sementes apresentaram baixa qualidade ou não germinaram.
Isso significa que apenas contar frutos pode superestimar o sucesso reprodutivo das plantas. A polinização cruzada transporta material genético entre indivíduos e amplia a variabilidade necessária para enfrentar doenças e mudanças ambientais.
O estudo também registrou diferentes calendários de floração e respostas ao fogo. Algumas espécies florescem de forma concentrada na estação chuvosa, enquanto outras se distribuem por períodos mais longos; em certos casos, a produção de flores aumentou poucas semanas após incêndios.
Os campos rupestres enfrentam pressão da mineração, mudanças no uso da terra, turismo desordenado e aquecimento global. Proteger os polinizadores, portanto, é parte essencial da conservação de plantas endêmicas e ameaçadas desse ecossistema.


