Uma proteína recém-identificada ajuda a explicar como bactérias eliminam concorrentes que ocupam o mesmo ambiente. Chamada RhsF, a toxina é produzida pela Chromobacterium violaceum, espécie comum em regiões tropicais e capaz de provocar infecções graves em humanos.
A bactéria utiliza o sistema de secreção do tipo VI, conhecido como T6SS, uma estrutura microscópica semelhante a uma lança. Por meio dela, substâncias são injetadas diretamente nas células de outros microrganismos.
Pesquisadores compararam uma linhagem com o sistema plenamente funcional e outra modificada para desativá-lo. A análise revelou diferentes candidatos a proteínas efetoras e permitiu caracterizar a RhsF como uma arma que reduz o crescimento ou causa a morte de bactérias rivais.
O mecanismo envolve a modificação de moléculas de RNA dentro da célula atacada. A equipe também identificou uma proteína de imunidade que protege a própria Chromobacterium violaceum e determinou a estrutura tridimensional formada por esse par de proteínas.
Sem a RhsF, a bactéria perdeu parte da capacidade de competir. O estudo encontrou ainda outros cinco candidatos a efetores, o que sugere a existência de um conjunto de ataques voltados a diferentes alvos celulares.
A descoberta contribui para o entendimento de comunidades microbianas, inclusive das relações entre bactérias do corpo humano e espécies patogênicas. No futuro, mecanismos semelhantes podem inspirar estratégias antimicrobianas.
Essa aplicação, porém, ainda é uma possibilidade distante. Os cientistas precisam descobrir quais moléculas de RNA são atingidas, como ocorre a morte celular e de que modo a toxina é reconhecida e transportada antes de considerar usos clínicos.


