Pesquisadores da USP combinaram escaneamento a laser e modelagem matemática para calcular podas capazes de deixar árvores urbanas mais equilibradas diante de ventos fortes. A proposta pode ajudar equipes técnicas a reduzir quedas de troncos e galhos sem remover partes da planta de forma indiscriminada.
A tecnologia LiDAR registra milhões de coordenadas e cria uma réplica tridimensional da árvore. Em um experimento com uma tipuana no campus do Butantã, o levantamento gerou uma nuvem de cerca de 30 milhões de pontos.
Depois de retirar digitalmente as folhas, a equipe simulou rajadas em diferentes direções. Um algoritmo de otimização topológica identificou áreas de maior fragilidade mecânica e calculou quais galhos poderiam ser cortados para redistribuir as tensões.
Os resultados mostraram que uma poda assimétrica pode aumentar a vulnerabilidade ao vento. Também indicaram que árvores próximas e com copas entrelaçadas tendem a dissipar melhor a força das rajadas do que exemplares isolados.
O trabalho é uma prova de conceito. O escaneamento detalhado de uma única árvore levou cerca de 40 minutos, e o modelo ainda não incorpora todos os efeitos das folhas e da interação entre grupos de plantas.
A meta dos pesquisadores é transformar a metodologia em um aplicativo que apoie o trabalho humano. Para uso em larga escala, a ferramenta terá de combinar velocidade, precisão e informações sobre espécie, estado de saúde e ambiente urbano.
A solução ganha relevância em cidades sujeitas a temporais e túneis de vento entre edifícios. Mesmo assim, ela não substitui a inspeção de profissionais qualificados e ainda precisa ser validada em mais árvores e condições climáticas.


