Dois novos casos de remissão completa do HIV foram apresentados durante uma conferência científica internacional realizada no Rio de Janeiro. Com os registros, chegou a 13 o número de pessoas reconhecidas por permanecer sem sinais detectáveis do vírus após interromper a terapia antirretroviral.
Os pacientes também enfrentavam câncer e receberam transplantes de medula óssea. Em situações desse tipo, os médicos procuram doadores com uma mutação genética rara que dificulta a entrada do HIV nas células de defesa.
O primeiro caso conhecido foi o do norte-americano Timothy Ray Brown, chamado de paciente de Berlim, tratado em 2007. A estratégia eliminou os vestígios detectáveis do vírus, mas não pode ser aplicada em larga escala porque o transplante de medula é complexo e apresenta riscos elevados.
Para pesquisadores, os casos comprovam que a eliminação do HIV é biologicamente possível e ajudam a identificar mecanismos que possam ser reproduzidos por medicamentos. Uma equipe da Universidade Federal de São Paulo estuda combinações capazes de reduzir os reservatórios virais, bloquear a entrada do vírus nas células e reativar partículas escondidas para que sejam combatidas.
Tratamentos de longa duração também avançam. Medicamentos injetáveis como lenacapavir e cabotegravir permitem aplicações a cada seis meses ou a cada dois meses, diminuindo a dependência de comprimidos diários e facilitando a adesão.
Apesar dos progressos, o HIV continua sendo um desafio de saúde pública. Mais de 40 milhões de pessoas vivem com o vírus no mundo. No Brasil, mais de 39 mil novos casos foram notificados em 2024, enquanto as mortes por aids caíram 13% em relação ao ano anterior.


