O governo de Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a aproximação com presidentes de direita recém-eleitos na América Latina. A estratégia busca preservar canais diplomáticos, reduzir o risco de isolamento regional e responder às críticas do presidente argentino Javier Milei.
O chanceler Mauro Vieira entregou mensagens de Lula a Keiko Fujimori, no Peru, e a Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Nos dois casos, o Planalto apresentou uma disposição pragmática para manter relações comerciais e institucionais apesar das divergências ideológicas.
A posição do novo governo colombiano é acompanhada com maior cautela. Espriella anunciou mudanças na rede diplomática, prometeu se afastar de governos bolivarianos e indicou para a chancelaria Omar Bula Escobar, crítico de Lula e alinhado ao bolsonarismo.
O governo brasileiro afirma que a parceria com a Colômbia inclui comércio, economia, preservação da Amazônia e combate ao crime organizado. O país tem 54 milhões de habitantes e uma das maiores economias da região.
Em relação ao Peru, integrantes do Itamaraty avaliam que a indicação do diplomata Hugo de Zela para o Ministério das Relações Exteriores favorece a continuidade da cooperação bilateral.
O Planalto também mantém interlocução com governos conservadores do Chile, Equador, Bolívia e Paraguai. A avaliação interna é que esses presidentes têm adotado posições pragmáticas e evitado aderir diretamente aos ataques de Milei.
A mudança ocorre em um cenário de maior influência dos Estados Unidos na política regional e de avanço de governos alinhados a Donald Trump. Para o Brasil, preservar o diálogo tornou-se uma forma de proteger interesses econômicos e evitar que divergências eleitorais contaminem as relações entre os países.


