O Brasil começou a transformar um histórico de projetos navais interrompidos em uma nova capacidade de construir embarcações militares de maior porte no próprio país. Em abril, a Marinha incorporou a fragata Tamandaré, primeira de uma série de quatro unidades produzidas integralmente em território nacional.
O navio foi construído em Itajaí, em Santa Catarina, por meio de uma parceria entre a alemã Thyssenkrupp Marine Systems e a Embraer. A estrutura do programa prevê participação da indústria brasileira, transferência de conhecimento e formação de mão de obra especializada.
A fragata pode detectar submarinos, lançar mísseis e torpedos e operar helicópteros. Uma segunda série de quatro embarcações já foi acertada de forma preliminar, o que poderá ampliar a escala do programa e dar continuidade à cadeia de fornecedores.
O avanço ocorre em meio a uma recuperação gradual dos investimentos em defesa. Os gastos militares brasileiros chegaram a US$ 24 bilhões no último ano, alta de 13% em relação a 2024, embora ainda correspondam a cerca de 1,1% do Produto Interno Bruto.
Além das fragatas, o país desenvolve um submarino de propulsão nuclear e amplia a produção local de aeronaves militares. Em março, foi apresentado o primeiro caça supersônico Gripen montado no Brasil, resultado da parceria com a sueca Saab.
Especialistas avaliam que os programas atuais representam principalmente uma modernização planejada há anos, e não apenas uma reação às tensões recentes no continente. O projeto das fragatas foi lançado em 2017, enquanto os primeiros acordos relacionados ao Gripen remontam a 2013.
O desafio será garantir orçamento e continuidade industrial para que os projetos não repitam tentativas anteriores que acabaram abandonadas. A entrega da Tamandaré, porém, fortalece a expectativa de que o país consiga manter uma base própria de construção naval militar.
Imagem gerada por IA.


