A intensificação dos ataques russos contra navios civis que atendem os portos de Odesa e de cidades próximas ameaça interromper uma das principais rotas de exportação da Ucrânia. Entre junho e julho, ao menos 30 embarcações foram atingidas e mais de 30 civis morreram.
Três portos da região respondem por aproximadamente 85% da receita mensal de US$ 3,5 bilhões obtida pelo país com exportações. Uma paralisação prolongada pode deixar milhões de toneladas de grãos retidas, com possíveis reflexos nos preços internacionais dos alimentos.
Um dos ataques ocorreu em 19 de julho, quando um míssil atingiu o cargueiro Golden Leo a cerca de seis quilômetros do porto, depois que a embarcação havia recebido uma carga de grãos. Nove tripulantes e o prático ucraniano Volodymyr Mykhailov morreram. O navio afundou uma semana depois.
Autoridades ucranianas afirmam que drones russos permanecem sobre o mar em busca de embarcações mercantes e que equipes de resgate também têm sido colocadas em risco. Especialistas marítimos consideram que ataques deliberados contra navios civis violam as regras internacionais de navegação.
A ofensiva retoma o temor vivido em 2022, quando o bloqueio de portos ucranianos reduziu o escoamento de alimentos e pressionou o mercado mundial. A Ucrânia é uma fornecedora relevante de trigo, milho e óleo vegetal para diversos países.
Ao mesmo tempo, forças ucranianas vêm atacando navios ligados à chamada frota paralela da Rússia, utilizada para transportar petróleo e contornar sanções. Kiev sustenta que essas exportações financiam a guerra.
Imagem gerada por IA.


