Serviços comerciais que analisam o microbioma intestinal e oferecem dietas personalizadas podem produzir resultados diferentes até mesmo quando recebem amostras idênticas. A inconsistência reforça dúvidas sobre a capacidade desses testes de orientar intervenções individuais com precisão.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos prepararam 21 amostras homogêneas e enviaram três unidades a cada uma de sete empresas. As análises apresentaram diferenças entre os laboratórios e, em um caso, também entre resultados fornecidos pela mesma companhia.
O microbioma reúne trilhões de microrganismos que participam da digestão, da produção de vitaminas, da regulação do sistema imunológico e da comunicação entre intestino e cérebro. Apesar de sua importância, não existe uma composição única que possa ser considerada ideal para todas as pessoas.
Empresas do setor analisam material genético presente nas amostras e, a partir dele, recomendam alimentos, suplementos e bactérias vivas. O problema é que microbiomas bastante diferentes podem cumprir funções semelhantes e permanecer saudáveis.
A falta de diversidade microbiana é um dos sinais mais consistentes de desequilíbrio. Estudos anteriores associaram maior variedade de bactérias ao consumo diversificado de plantas e de alimentos fermentados, como kimchi e chucrute.
Já as alegações de que a inclusão ou retirada de espécies específicas produziria benefícios perceptíveis ainda têm base científica limitada. Parte das empresas também não divulga integralmente os dados usados para sustentar suas recomendações.
Pesquisas com dietas individualizadas indicam que o método pode ajudar em situações específicas, mas os efeitos encontrados até agora são modestos. Para a maioria das pessoas, uma alimentação variada continua sendo uma orientação mais sólida do que testes caros e pouco padronizados.
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