O aquecimento global e a degradação ambiental estão levando borboletas a abandonar seus habitats originais. Um estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution reuniu dados de 1.758 espécies em 105 países e identificou deslocamento em 79% dos casos analisados.
Em algumas regiões, o aumento da temperatura permite que determinadas espécies sobrevivam em áreas antes frias demais ou estendam o período reprodutivo. O avanço, porém, pode reduzir populações já estabelecidas: esse efeito foi observado em 27% das borboletas avaliadas.
Quando grupos remanescentes ficam pequenos, isolados ou expostos a novas ameaças, cresce o risco de extinção local. Por isso, os pesquisadores tratam o movimento das borboletas como sinal de uma reorganização mais ampla dos ecossistemas.
O Brasil, que abriga cerca de 3.500 das aproximadamente 20 mil espécies conhecidas no mundo, integra o levantamento. Além de polinizar plantas, borboletas, ovos e lagartas sustentam outras partes da cadeia alimentar, servindo de alimento para insetos, aves e pequenos mamíferos.
Esses animais também funcionam como indicadores biológicos sensíveis. Como respondem rapidamente às mudanças de temperatura, umidade e vegetação, seus deslocamentos podem revelar a deterioração de um ambiente antes que ela seja percebida por outros sinais.
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