Os empréstimos do tipo “compre agora, pague depois”, popularizados nas compras on-line, estão avançando sobre despesas essenciais. Aplicativos já oferecem crédito de curto prazo para aluguel, energia, internet, telefone, seguro-saúde, financiamento imobiliário e contas de água, além de tratamentos médicos e veterinários.
A expansão ocorre enquanto famílias enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento. Uma pesquisa da plataforma LendingTree apontou que metade dos usuários desse tipo de crédito não conseguiria fechar as contas sem recorrer aos parcelamentos. Entre os entrevistados, um em cada quatro afirmou já ter mantido três ou mais empréstimos simultaneamente.
Embora o acesso seja rápido e algumas empresas não cobrem juros compostos ou multa por atraso, as taxas elevam o custo das despesas mensais. Como os pagamentos costumam ser retirados automaticamente da conta bancária, uma cobrança fora de hora também pode provocar cheque especial, atraso de outras contas e uma sequência de novos débitos.
Outro ponto de atenção é a baixa visibilidade dessas operações no sistema financeiro tradicional. Muitas empresas não informam os contratos às agências de crédito, criando uma dívida que nem sempre aparece nas avaliações de risco. Somente no último ano, consumidores movimentaram cerca de US$ 160 bilhões por meio dessa modalidade, ampliando o debate sobre endividamento e proteção financeira.


