O Tribunal de Justiça de São Paulo deve analisar na próxima semana uma ação contra a revisão do zoneamento que abriu espaço para edifícios de grande porte na Cidade Jardim. A Prefeitura já recebeu pedidos para construir pelo menos 19 torres no bairro, das quais 13 têm mais de 30 andares.
As áreas ficam próximas ao Jockey Club e eram ocupadas majoritariamente por casas. Parte delas estava classificada como exclusivamente residencial até 2023. A mudança aprovada em 2024 transformou cerca de 200 imóveis em zona de maior adensamento, permitindo prédios e atividades comerciais antes proibidos.
A Sociedade Amigos da Cidade Jardim e a Sociedade Amigos da Colina das Flores tentam reverter a alteração. As entidades afirmam que o mapa definitivo foi apresentado apenas dois dias antes da votação e que não houve tempo adequado para participação social. O Ministério Público também questionou a constitucionalidade da revisão.
A Prefeitura e a Câmara Municipal defendem o processo. Segundo os órgãos, a proposta respeitou o Plano Diretor, passou por dezenas de audiências públicas e recebeu contribuições presenciais e pela internet. A Câmara sustenta que as críticas representam interesses locais diante de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento urbano.
O prefeito Ricardo Nunes havia vetado a mudança específica, alegando que o aumento da densidade não combinava com o entorno residencial. O veto, porém, foi derrubado pelos vereadores. Entre os projetos previstos está o Península Cidade Jardim, complexo de alto padrão em desenvolvimento pelo Grupo RZK.
O julgamento deve definir se a mudança continuará válida enquanto se discute o equilíbrio entre expansão urbana, infraestrutura e preservação das características do bairro. O resultado também poderá influenciar outras disputas sobre verticalização em áreas tradicionalmente residenciais da capital.
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