O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em uma investigação sobre possível exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As diligências ocorreram em endereços ligados ao parlamentar e à mulher dele, Valéria Rodrigues Linhares, no Distrito Federal e em São Paulo.
A ação integra a terceira fase da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Os mandados foram autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em decisão proferida em 5 de setembro.
Segundo a PF, integrantes do grupo teriam negociado pagamentos elevados, condicionados ao resultado de processos judiciais, sob a alegação de que poderiam influenciar decisões. Os valores eram formalizados por contratos de honorários advocatícios e cessões de crédito celebrados por advogadas ligadas ao deputado.
Os investigadores apontam uma divisão de tarefas. Mariângela Fialek, conhecida como Tuca e ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, seria responsável por captar causas, preparar memoriais e organizar pedidos. Valéria Linhares cuidaria dos contratos. Cezinha, por sua vez, faria contatos pessoais com integrantes do STF, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral.
Flávio Dino ressaltou que, até o momento, não existem elementos indicando solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Poder Judiciário. A apuração concentra-se na conduta das pessoas suspeitas de comercializar uma suposta influência sobre magistrados.
Valéria não era localizada desde agosto, quando tentou embarcar no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão. O dinheiro foi apreendido. A defesa do casal não foi encontrada para comentar esse episódio.
Em nota, a defesa do deputado afirmou que ele mantém uma trajetória ilibada, está à disposição das autoridades e confia que os fatos serão esclarecidos depois do acesso integral aos autos. Cezinha também nega ter cometido qualquer irregularidade.


