Conversas citam reuniões de Cezinha de Madureira com Nunes Marques

Data:

Mensagens reunidas pela Polícia Federal na Operação Transparência mencionam contatos do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, para tratar de processos de interesse de pessoas ligadas à investigação.

Os diálogos foram encontrados no celular de Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira. O aparelho foi apreendido na primeira fase da operação, realizada em dezembro de 2025.

Em uma conversa de 12 de junho de 2025, Mariângela encaminhou ao parlamentar arquivos identificados como memoriais de reclamações em tramitação no STF. Em uma das mensagens, ela pediu que fosse solicitada vista de um processo. Também perguntou sobre o andamento de uma reunião com o ministro.

Cezinha respondeu que havia pedido para ser atendido naquela manhã, mas que o encontro fora remarcado para as 16h, por videoconferência. Em seguida, indicou que apresentaria o pedido ao magistrado. Para os investigadores, o conteúdo sugere uma atuação voltada a levar pessoalmente demandas de terceiros ao julgador.

Na decisão que autorizou novas buscas, o ministro Flávio Dino afirmou que as expressões utilizadas nas mensagens e a identificação nominal do interlocutor indicariam, em análise preliminar, que o deputado não se limitava a encaminhar documentos. Segundo Dino, haveria indícios de compromisso para formular pedidos diretamente ao magistrado em favor de partes representadas por advogadas ligadas a Cezinha por vínculos pessoais e econômicos.

Nunes Marques afirmou que receber partes de processos, advogados e interessados em audiência faz parte da rotina dos ministros do Supremo. Sobre o diálogo citado, informou que Mariângela foi atendida por videoconferência, em 1º de agosto de 2025, por um juiz auxiliar de seu gabinete.

O material integra uma apuração ainda em andamento. As mensagens não demonstram, por si sós, que o ministro tenha atendido aos pedidos ou recebido qualquer vantagem. Dino já destacou que não há, até agora, elementos que apontem solicitação, aceitação ou recebimento de benefício indevido por integrantes do Judiciário.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Newsletter

spot_imgspot_img

Mais Lidos

Leia Mais

Inteligência artificial já é usada por 52% dos pequenos negócios brasileiros, aponta pesquisa

Mais da metade dos pequenos negócios brasileiros pesquisados usou...

Golpe do falso advogado tira R$ 163 mil de empresária em Praia Grande

Uma empresária de 57 anos perdeu cerca de R$...

Projeto prevê vitaminas e minerais gratuitos para pacientes após cirurgia bariátrica em São Paulo

Um projeto apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo...

São Vicente discute proibir veículos em áreas infantis e pistas de caminhada

A Prefeitura de São Vicente enviou à Câmara um...