A crise no Supremo Tribunal Federal passou a ocupar espaço central na propaganda eleitoral de 2026. Entre 16 de agosto e 10 de setembro, foram identificados 5.677 anúncios relacionados à Corte e a seus ministros no Facebook e no Instagram, com gastos que podem chegar a R$ 2,9 milhões.
O levantamento foi realizado a partir da Biblioteca de Anúncios da Meta, que reúne conteúdos classificados como políticos, eleitorais ou ligados a temas sociais. Do total analisado, 74% apresentavam tom crítico ao STF ou ao ministro Alexandre de Moraes.
A maior concentração ocorreu depois de 3 de setembro, quando ganharam repercussão as mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entre os dias 3 e 10, foram veiculadas 4.519 peças, equivalentes a 79,6% do total do período, com despesas de até R$ 1,9 milhão.
Expressões relacionadas a impeachment, censura, perseguição, autoritarismo e afastamento de ministros apareceram com frequência nas campanhas. Parte dos anúncios também usou o caso Moraes-Vorcaro para defender mudanças nos limites de atuação do tribunal.
Candidatos conservadores e ligados ao bolsonarismo concentraram boa parte das críticas. Entre eles estão Gustavo Gayer, candidato do PL ao Senado por Goiás, e Zoe Martínez, candidata do partido a deputada federal em São Paulo. As peças defendiam a investigação ou a saída de Moraes do Supremo.
O assunto também foi explorado por candidatos de esquerda. Áurea Carolina, do PSOL, impulsionou conteúdo defendendo a responsabilização de ministros por suas condutas. Jandira Feghali, do PCdoB, usou a crise para criticar André Mendonça e afirmou que haveria uma tentativa de fragilizar as instituições durante o processo eleitoral.
Especialistas avaliam que a incorporação do tema pelas campanhas reflete a centralidade adquirida pelo STF no debate político. Em uma eleição disputada, fatos capazes de mobilizar apoiadores ou ampliar rejeições tendem a ser rapidamente transformados em propaganda. O Supremo não apresentou manifestação sobre o levantamento.


