A cidade de São Paulo registrou, antes mesmo da metade final do mês, o setembro mais chuvoso desde o início da série histórica, em 1943. Até as 9h de 14 de setembro, o Mirante de Santana, na zona norte, havia acumulado 253,8 milímetros de precipitação.
O volume é mais de três vezes superior à média climatológica de 83,3 milímetros para todo o mês. O recorde anterior havia sido registrado em 1983, quando o mesmo ponto de medição contabilizou 243,1 milímetros.
Como setembro ainda está em andamento e há previsão de novos episódios de chuva, a Defesa Civil paulista considera possível que o acumulado aumente. A quantidade de nuvens deve diminuir gradualmente, mas a presença de ar frio de origem polar sobre o Sul e o Sudeste dificulta uma elevação mais acentuada das temperaturas.
Os temporais recentes, acompanhados em algumas áreas por vento e granizo, provocaram mortes, enchentes, deslizamentos e danos materiais no Estado. No Vale do Ribeira, municípios como Eldorado e Registro enfrentaram alagamentos, e centenas de moradores precisaram deixar suas casas.
A Defesa Civil avalia que o El Niño já começou a influenciar o regime de chuvas em São Paulo. Eventos que costumavam ganhar força entre novembro e dezembro teriam sido antecipados neste ano. O órgão alerta que as condições podem se agravar perto do fim de 2026.
O cenário contrasta com o observado em 2024, quando o Estado enfrentou uma estiagem severa e incêndios de grandes proporções entre agosto e setembro. Agora, o excesso de precipitação é a principal preocupação das autoridades de monitoramento.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o El Niño está instalado e continua evoluindo. Projeções brasileiras e internacionais indicam que o fenômeno poderá permanecer ativo durante os primeiros meses de 2027, mantendo o risco de chuvas intensas e outros eventos extremos.


