O governo dos Estados Unidos incluiu a compra de aviões comerciais fabricados no país e o acesso antecipado a negociações envolvendo minerais críticos entre as condições apresentadas ao Brasil para aliviar o tarifaço de 50% imposto em 2025. As exigências constavam de uma minuta discutida por representantes dos dois países em Washington.
O texto previa que companhias aéreas brasileiras assumissem o compromisso de adquirir aeronaves americanas, inclusive modelos da Boeing. A quantidade não havia sido definida no documento, que mantinha o número em aberto. Embora a negociação fosse conduzida pelos governos, a compra seria feita por empresas privadas.
Entre as três maiores companhias do Brasil, Gol e Latam já operam aviões da fabricante americana. A Gol concentra sua frota na família 737, enquanto a Latam utiliza modelos 767, 777 e 787 em rotas internacionais. A Azul informou que não possui aeronaves da Boeing.
Minerais estratégicos
A proposta também exigia que Washington fosse avisada antes da conclusão de possíveis vendas de ativos brasileiros ligados à mineração e aos minerais críticos. O objetivo era permitir que empresas americanas participassem dos processos antes da adjudicação ou da aprovação regulatória.
O mecanismo atingiria negócios com terras raras e outros recursos estratégicos em um momento de disputa internacional por cadeias de suprimento. Pela legislação brasileira, as riquezas minerais do subsolo pertencem à União, e a Agência Nacional de Mineração é responsável por controlar e conceder os direitos de exploração.
A minuta foi enviada em 16 de outubro de 2025, durante missão brasileira à capital americana. Segundo participantes das conversas, o chanceler Mauro Vieira recusou discutir os termos apresentados e orientou a equipe a informar que aquelas condições não deveriam voltar à mesa.
O Itamaraty não comentou oficialmente o conteúdo da proposta. O Departamento de Estado, o escritório do representante comercial dos Estados Unidos e a Boeing também não se manifestaram. Além de aeronaves e minerais, o documento reunia demandas sobre comércio digital, sanções, produtos agrícolas, aço e investimentos considerados sensíveis pelos americanos.


