O partido A Esquerda terminou em primeiro lugar na eleição de Berlim com uma campanha centrada no custo da moradia. Elif Eralp, de 45 anos, desponta como provável futura prefeita da cidade-estado alemã e defende um teto para os aluguéis, além da transferência de cerca de 200 mil apartamentos para o controle público.
A legenda não conquistou maioria sozinha. Para formar o governo, precisará negociar uma coalizão com partidos de centro-esquerda, especialmente os Verdes e o Partido Social-Democrata (SPD). Em Berlim, o cargo de prefeito também reúne atribuições equivalentes às de governador.
Moradia no centro da campanha
Eralp se apresentou aos eleitores como inquilina, advogada e mãe. Moradora de um apartamento alugado em Kreuzberg com o marido e dois filhos, ela explorou durante a campanha o temor de novos aumentos nos preços dos imóveis.
Sua principal proposta é uma forma de “socialização” prevista no direito alemão. O mecanismo permitiria transferir propriedades para o poder público mediante indenização, levando em conta a função social da moradia. Adversários classificam a medida como expropriação e questionam o impacto financeiro do projeto.
O partido calcula que a incorporação dos apartamentos custaria aproximadamente € 7 bilhões, equivalentes a cerca de R$ 40,9 bilhões. Representantes do mercado estimam uma conta bem mais elevada, próxima de € 40 bilhões, ou R$ 235 bilhões.
Trajetória ligada à imigração
Filha de socialistas turcos que deixaram o país após um golpe de Estado nos anos 1980, Eralp nasceu em Munique e cresceu em Hamburgo. Formada em direito, ingressou no partido A Esquerda em 2017, no mesmo dia em que a legenda de extrema direita AfD chegou ao Parlamento alemão.
Durante a disputa, ela fez campanha de porta em porta e utilizou o idioma turco para dialogar com uma das maiores comunidades de origem turca fora da Turquia. Após a vitória, afirmou que judeus devem se sentir seguros na capital alemã, em resposta a acusações de antissemitismo dirigidas a setores de sua legenda.
A formação da coalizão será decisiva para definir se Eralp chegará ao comando da cidade e se as propostas de controle dos aluguéis e socialização de imóveis terão apoio político suficiente para avançar.


