A escassez de doadores pediátricos e a necessidade de compatibilidade de peso e altura tornam a espera por um transplante ainda mais difícil para crianças no Brasil. Apenas 2% das notificações de potenciais doadores falecidos envolvem pacientes infantis, o que reduz significativamente a disponibilidade de órgãos adequados.
O problema é diferente daquele enfrentado por adultos. Além da compatibilidade sanguínea e clínica, equipes médicas precisam avaliar se o tamanho do órgão é adequado ao corpo da criança que aguarda o procedimento. Em muitos casos, mesmo quando há autorização da família do doador, o órgão não pode ser destinado a um receptor pediátrico.
Doação em vida pode ser alternativa
Quando o transplante envolve órgãos ou partes de órgãos que podem ser doados por uma pessoa viva, parentes podem se tornar uma alternativa à longa espera. Foi o que ocorreu com Felipe, de 7 anos, que recebeu parte do fígado do próprio pai depois de não conseguir um doador falecido compatível.
Esse tipo de procedimento depende de uma avaliação rigorosa da saúde do doador e do receptor. Também não é aplicável a todas as situações. No caso do coração, por exemplo, o transplante depende necessariamente de um doador falecido com características físicas compatíveis.
A fila infantil exige uma logística especialmente rápida. Após a identificação de um possível doador, são realizados exames, consulta aos registros nacionais e contato com as equipes responsáveis pelos pacientes em espera. A distância entre o hospital onde está o órgão e o centro transplantador também interfere no processo, porque cada órgão possui um tempo máximo de preservação.
Autorização das famílias
A doação de órgãos no Brasil depende da autorização familiar. Por isso, especialistas recomendam que as pessoas conversem previamente com parentes sobre o desejo de serem doadoras. A manifestação em vida facilita a decisão em um momento marcado pelo luto.
Para as crianças que aguardam um transplante, o aumento das notificações e das autorizações pode ampliar as chances de encontrar um órgão compatível. A mobilização, porém, precisa ser acompanhada de estrutura hospitalar, equipes capacitadas e transporte eficiente para que a doação seja efetivamente convertida em transplante.


