Pix ultrapassa 1 bilhão de chaves, mas expansão fica sob ameaça com possível eleição de Flávio Bolsonaro

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O Pix ultrapassou a marca de 1 bilhão de chaves cadastradas no Brasil e consolidou sua presença na rotina de consumidores e empresas. O avanço, no entanto, ocorre em meio a uma disputa eleitoral que pode mudar os rumos da expansão internacional do sistema caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.

Dados mais recentes apontam 1,008 bilhão de chaves registradas. Desse total, cerca de 956,7 milhões pertencem a pessoas físicas e 51,2 milhões a empresas. As chaves vinculadas a números de telefone somam aproximadamente 166,3 milhões, enquanto os registros por CPF chegam a 153,9 milhões e os cadastrados por e-mail, a 144,6 milhões.

O risco não é o encerramento do Pix dentro do Brasil. Flávio Bolsonaro já negou que pretenda acabar com o sistema e chegou a defendê-lo publicamente. A preocupação está na proposta apresentada por ele aos Estados Unidos para impedir que o Pix seja conectado a mecanismos de compensação considerados “não ocidentais”.

Limite pode reduzir alcance internacional

Na prática, uma restrição desse tipo poderia dificultar acordos do Brasil com países asiáticos, integrantes do Brics e outros mercados interessados em sistemas de pagamento instantâneo. Também reduziria a capacidade do país de desenvolver transferências internacionais com custos menores e menor dependência das redes privadas de cartões.

A posição de Flávio foi apresentada como uma tentativa de aliviar pressões comerciais do governo de Donald Trump. O Pix entrou no radar de Washington depois de empresas norte-americanas apontarem possível prejuízo à atuação de bandeiras de cartões e plataformas privadas de pagamento.

Uma eventual submissão do desenvolvimento do Pix às exigências americanas pode transformar uma infraestrutura pública brasileira em moeda de negociação diplomática. Embora o serviço doméstico não esteja ameaçado de extinção, sua evolução e integração com outros sistemas podem sofrer limitações políticas.

O Pix foi desenvolvido pelo Banco Central e lançado em 2020. Em poucos anos, superou cartões em volume de transações, reduziu o uso de dinheiro vivo e ampliou o acesso a pagamentos digitais. Atualmente, cerca de 170 milhões de clientes utilizam o sistema.

O desafio para o próximo governo será preservar a segurança e a gratuidade das transferências para pessoas físicas sem permitir que interesses externos determinem quais países poderão se conectar à tecnologia brasileira.

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