Flávio Bolsonaro promete reduzir impostos sobre combustíveis e energia caso seja eleito, mas seu programa não explica como a perda de arrecadação seria compatibilizada com o ajuste fiscal anunciado pela campanha.
O candidato afirma que pretende cortar despesas equivalentes a aproximadamente 1,5% do Produto Interno Bruto. Ao mesmo tempo, promete preservar programas sociais, aposentadorias, pisos de saúde e educação e a política de valorização do salário mínimo.
Na área de combustíveis, Flávio anunciou que pretende acabar com a alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo, criada para ajudar a financiar medidas destinadas a conter a alta do diesel. A retirada do tributo reduziria receitas justamente quando o país enfrenta pressão internacional sobre os preços.
O programa registrado pela candidatura também não detalha qual será a política de preços da gasolina e do diesel. A Petrobras sequer aparece de forma central no documento, embora a estatal tenha influência direta sobre o mercado nacional de combustíveis.
A conta se torna ainda mais difícil porque o candidato promete diminuir a carga tributária de empresas e famílias. Sem indicar quais despesas serão cortadas ou apresentar fontes alternativas de receita, as propostas podem ampliar o déficit ou exigir sacrifícios que não foram informados aos eleitores.
O preço dos combustíveis não afeta apenas o motorista na bomba. Diesel e gasolina interferem no transporte coletivo, no frete, na cadeia logística e no custo dos alimentos, podendo produzir efeitos sobre toda a inflação.
Reduzir impostos pode aliviar preços no curto prazo, mas a medida precisa vir acompanhada de um plano fiscal transparente. Até agora, Flávio não mostrou como pretende conciliar desoneração, preservação de benefícios e um corte bilionário nas contas públicas.


