Cientistas detectaram pela primeira vez sinais de rádio provenientes de um planeta localizado fora do Sistema Solar. A emissão foi associada ao Beta Pictoris b, um gigante gasoso situado a cerca de 63 anos-luz da Terra.
A descoberta foi realizada por pesquisadores do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. O resultado abre uma nova possibilidade para o estudo de exoplanetas, que normalmente são observados por meio da luz ou pelos efeitos gravitacionais provocados em suas estrelas.
No início da investigação, a origem do sinal ainda era incerta. A região também possui uma estrela e outros objetos capazes de produzir emissões. Para identificar a fonte, a equipe comparou as imagens de rádio com posições extremamente precisas de quasares localizados ao fundo.
O cruzamento dos dados permitiu acompanhar o movimento dos objetos e concluir que os sinais vinham do Beta Pictoris b.
Não é uma mensagem extraterrestre
A detecção provocou especulações sobre uma possível tentativa de comunicação realizada por uma civilização distante. Os pesquisadores, porém, descartaram rapidamente essa hipótese.
As ondas de rádio devem ter origem em processos naturais ligados ao campo magnético do planeta. Fenômenos semelhantes ocorrem em corpos do Sistema Solar, como Júpiter, cuja magnetosfera produz emissões intensas.
Descoberto em 2008, o Beta Pictoris b é um planeta jovem e muito maior que a Terra. Ele orbita uma estrela também jovem e tem sido observado diretamente por telescópios, algo incomum entre os milhares de exoplanetas conhecidos.
O sinal poderá ajudar os cientistas a estimar a intensidade do campo magnético do planeta e compreender melhor sua atmosfera. Campos magnéticos exercem papel importante na proteção contra partículas emitidas pelas estrelas e podem influenciar a evolução dos mundos planetários.
A descoberta também demonstra que radiotelescópios podem ser usados para estudar características que não aparecem nas observações tradicionais. Com equipamentos mais sensíveis, novas emissões poderão ser encontradas em outros planetas.
Embora o sinal não indique vida extraterrestre, a técnica amplia as ferramentas disponíveis na busca por ambientes capazes de reunir condições favoráveis ao desenvolvimento da vida.


