Ana Clara Gomes Machado tinha 5 anos quando morreu após ser atingida por disparos de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, em Niterói (RJ). Ela brincava perto de casa. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de ter efetuado os tiros; a responsabilidade penal cabe à Justiça definir. O caso voltou ao debate eleitoral depois que Lula cobrou Flávio Bolsonaro por sua atuação na defesa do agente.
Flávio, que também é advogado, assinou em 2024 um recurso ao Superior Tribunal de Justiça contra a decisão de levar o policial a júri popular. Defender um acusado é um direito e não torna o advogado responsável pelo crime atribuído ao cliente. Mas a participação de um senador e candidato presidencial em um processo tão sensível justifica escrutínio público sobre sua atuação e suas posições em segurança.
A perícia recolheu no local estojos de munição de fuzil calibre 7,62 compatíveis com o armamento utilizado pela polícia. Segundo a decisão judicial relatada à época, não foram encontrados estojos de pistola, arma que, na versão dos policiais, teria sido usada por criminosos. Depoimentos e outras evidências também pesaram na investigação.
A distinção importa porque Flávio apoiou, em discussão no Senado, a retirada de marcação de munições utilizadas por forças de segurança. A numeração pode auxiliar a rastreabilidade em investigações, mas não é correto afirmar que essa marcação, por si só, resolveu o caso Ana Clara. A pergunta política é se enfraquecer a identificação de munições dificultaria investigações futuras.


