A passagem da escala de seis dias de trabalho para um de descanso para uma jornada com duas folgas semanais pode trazer ganhos à saúde dos trabalhadores e, com o tempo, reduzir determinados afastamentos por doença e acidentes. É uma possibilidade apontada pelo advogado previdenciário João Badari em reportagem publicada por A Tribuna nesta segunda-feira (19), não um resultado já comprovado.
Segundo o especialista, jornadas prolongadas e descanso insuficiente podem contribuir para o desgaste físico e psicológico. Mais tempo de recuperação e convívio fora do trabalho pode ajudar a prevenir parte desse adoecimento. Ele ressalta, porém, que não é possível atribuir os afastamentos apenas à antiga escala: ambiente de trabalho, tipo de atividade e condições individuais também influenciam.
Outro ponto decisivo será a forma como as empresas adaptarão equipes e rotinas. Se a redução dos dias trabalhados vier acompanhada de maior pressão por produtividade ou concentração das mesmas tarefas em menos tempo, o benefício à saúde poderá ser menor do que o esperado. A mudança tampouco altera diretamente as regras de aposentadoria.
A emenda constitucional que encerra a escala 6×1 foi promulgada em 16 de outubro e prevê uma transição para a jornada 5×2, com redução gradual das horas semanais, segundo a Agência Brasil. Avaliar seus efeitos sobre a saúde e a Previdência exigirá acompanhar dados de afastamento, acidentes e condições de trabalho após a entrada em vigor das novas regras.


