Uma investigação publicada nesta terça-feira (20) pelo UOL, na coluna de Artur Rodrigues, mostrou que informações expostas na internet permitiram à reportagem acessar imagens de câmeras integradas ao Smart Sampa. O sistema de vigilância da Prefeitura de São Paulo serviu de inspiração para o Smart Brasil, proposta de segurança apresentada pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo o UOL, os dados ficaram disponíveis por cerca de 11 meses. A reportagem conseguiu acessar imagens captadas em ruas e em locais sensíveis, como escolas, creches e unidades de saúde. Também encontrou informações de agentes de segurança e credenciais de usuários da plataforma. A exposição foi retirada do ar após o veículo alertar a Prefeitura.
O episódio coloca uma questão concreta para qualquer projeto que pretenda integrar câmeras em grande escala: não basta ampliar a rede; é preciso demonstrar quem poderá acessar as imagens, como os acessos serão controlados e quais medidas impedirão que dados de cidadãos e agentes públicos fiquem expostos. Quanto maior o sistema, maior pode ser o alcance de uma falha.
A Prefeitura contesta a conclusão de que exista uma fragilidade na plataforma. Afirma que houve um vazamento ilegal cometido por um servidor, já afastado e investigado pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana, e diz não ter identificado uso indevido do sistema. A administração também informou que reforçou a segurança dos acessos. O UOL, por sua vez, relata que conseguiu entrar na plataforma utilizando os dados encontrados.
Flávio ainda precisa explicar como sua proposta nacional evitaria problemas desse tipo. A apuração do UOL não prova que o Smart Brasil repetiria a exposição registrada em São Paulo, mas torna indispensável exigir respostas sobre proteção de dados, fiscalização independente e responsabilização antes de conectar câmeras e bancos de informações em todo o país.


