Um projeto logístico em análise em Cubatão promete encurtar o percurso de caminhões de cerca de 15 para 4 quilômetros, mas prevê uma intervenção de grande porte em área de manguezal. O estudo de impacto ambiental do Complexo Logístico Tatu calcula a supressão de aproximadamente 313,8 mil metros quadrados desse ecossistema.
O empreendimento foi proposto pela Condilog Operações para a Ilha do Tatu, nas proximidades da Ilha Caraguatá. O investimento estimado é de R$ 1,492 bilhão. Além do manguezal, o projeto prevê a retirada de cerca de 456 mil metros quadrados de vegetação nativa e intervenções em aproximadamente 500 mil metros quadrados de áreas de preservação permanente.
A promessa de reduzir o trajeto dos caminhões é uma projeção do empreendedor, não um benefício já demonstrado na prática. O estudo de impacto ambiental foi apresentado à Cetesb, responsável pela análise do licenciamento. Portanto, a obra ainda depende das avaliações e autorizações ambientais cabíveis.
A Secretaria de Meio Ambiente de Cubatão e o conselho municipal se manifestaram contrários à proposta. A preocupação inclui a perda de uma área que abriga espécies como o guará-vermelho e ajuda a proteger a costa e a vida marinha. Como compensação, o estudo propõe R$ 7,16 milhões em medidas ambientais e a conservação de 2,2 milhões de metros quadrados de vegetação, incluindo 1,9 milhão de metros quadrados de mangue. Essas medidas não eliminam automaticamente o impacto da retirada da vegetação existente.
Se aprovado, o cronograma de construção seria de 36 meses, com previsão de cerca de 400 empregos no pico das obras. Antes disso, o ponto decisivo é saber se o ganho logístico justifica a perda ambiental e se há alternativas de traçado menos danosas.


