Milhões de estudantes tiveram de pensar neste domingo (8) sobre “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal”, tema da redação do Enem 2026. A proposta também serve como pergunta para quem governa e para quem disputa o poder: o que significa valorizar o SUS quando chega a hora de decidir o orçamento?
Na prova, o candidato precisa construir um argumento e apresentar uma proposta de intervenção. Fora dela, prometer atendimento melhor enquanto se defende menos recursos para a saúde exige uma explicação igualmente concreta: qual serviço deixaria de ser oferecido, quem pagaria a diferença e quem ficaria esperando?
Criticar filas, falta de profissionais ou demora para conseguir exames é necessário. Esses problemas afetam diretamente a população e não desaparecem com discursos de celebração. Mas apontar falhas não basta para concluir que o direito universal deva ser reduzido. O debate sério começa quando se apresenta uma solução que possa ser examinada, financiada e cobrada.
O SUS não se resume às consultas em hospitais e postos. A ideia de acesso universal coloca diante do país uma escolha: manter a saúde como direito de todos ou fazer da capacidade de pagar o critério decisivo para receber cuidado. É por isso que a redação vai além da sala de aula. A pergunta sobre valorização precisa ser respondida também por quem aprova verbas, administra serviços e apresenta propostas para a saúde pública.
O tema definido pelo Inep não é um endosso a candidato ou partido, e os estudantes não precisam repetir uma opinião política específica. A provocação que ele permite é outra: se cobramos dos jovens argumentos e soluções em até 30 linhas, deveríamos cobrar dos responsáveis pelas decisões públicas pelo menos o mesmo rigor.


