Lutador agride vizinhas, resiste à polícia e sai vivo: quem tem essa chance no Brasil?

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Um lutador de jiu-jítsu agrediu violentamente duas vizinhas em um prédio na Tijuca, no Rio de Janeiro. Uma delas, de 81 anos, sofreu traumatismo craniano. A outra, de 40, foi atacada no elevador, em uma sequência registrada por câmera de segurança. Lucas Portela Fontana Gomes foi preso e permanece custodiado. As duas mulheres receberam atendimento hospitalar e tiveram alta.

Na abordagem, segundo os depoimentos dos policiais e guardas municipais envolvidos, ele resistiu, entrou em luta corporal e tentou tomar a arma de um policial. Foi atingido por dois disparos, um em cada perna. Os agentes relataram que conseguiram imobilizá-lo após usar uma arma de choque. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias completas da ação.

O desfecho provoca uma pergunta incômoda: quem tem a mesma chance de sair vivo de uma abordagem policial no Brasil? Não é possível afirmar o que teria acontecido com Lucas se ele fosse outra pessoa. É possível, porém, olhar para o padrão nacional. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o risco de uma pessoa negra morrer em uma intervenção policial é 3,5 vezes maior que o de uma pessoa branca.

O dado não permite atribuir a conduta dos agentes deste episódio à raça de Lucas nem determina o desfecho de um caso individual. Ele exige que se discuta por que a chance de sobreviver a encontros com a polícia é tão desigual. Exigir que o agressor responda pelo que fez às vizinhas e exigir que toda pessoa abordada seja tratada com o mesmo respeito à vida são compromissos que devem caminhar juntos.

Na audiência de custódia de sábado (7), Lucas declarou usar maconha, cocaína, quetamina e medicamentos controlados. Isso não explica, por si só, as agressões nem altera a necessidade de apuração dos fatos e proteção das vítimas.

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