Rubens Barrichello voltou a pilotar um Fórmula 1 em Interlagos neste domingo (8). Ao volante da Williams de 2011, carro de sua última temporada na categoria, recebeu a homenagem que não teve quando deixou as pistas. A chuva, a torcida e o ronco do motor deram à volta um peso que o cronômetro não poderia medir. Rubinho se emocionou. Ele acelerou na reta para que o público ouvisse o carro uma última vez.
A cena convida a uma pergunta incômoda: por que foi preciso esperar 15 anos para celebrar essa carreira em Interlagos?
Rubinho disputou 19 temporadas na Fórmula 1. Foram 11 vitórias, 68 pódios e dois vice-campeonatos mundiais, em 2002 e 2004. Sua primeira vitória, no GP da Alemanha de 2000, veio depois de uma corrida marcada pela chuva e permanece entre os momentos mais lembrados de sua trajetória. São resultados que poucos pilotos no mundo alcançaram.
Durante anos, porém, parte da conversa brasileira sobre Barrichello pareceu exigir dele uma coisa só: ser Ayrton Senna. A comparação ajudou a transformar uma carreira extraordinária em alvo fácil de piadas sobre vice-campeonatos e sobre sua posição ao lado de Michael Schumacher na Ferrari. É justo discutir as escolhas e os episódios difíceis daquela parceria. Reduzir 19 temporadas a isso é deixar de enxergar o piloto que venceu corridas, subiu dezenas de vezes ao pódio e permaneceu competitivo em equipes e fases muito diferentes da categoria.
A homenagem deste domingo não apaga o que faltou em 2011. Mas permite corrigir, ao menos por um momento, a maneira de olhar para Rubinho. A torcida que o aplaudiu na pista molhada reconheceu algo simples: não é preciso ter sido campeão mundial para ser um dos grandes nomes do automobilismo brasileiro.
Barrichello chamou a experiência de maravilhosa. Para quem acompanhou sua carreira, a volta também deixou uma reflexão: talvez o Brasil devesse ter dito isso a ele muito antes.


