O livro Escreviventes reúne, pela primeira vez, um diálogo entre as escritoras Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, transformando conversas sobre literatura, memória e identidade em uma obra que celebra a trajetória de duas das principais vozes da literatura brasileira contemporânea. Lançado durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o título marca um momento especial na carreira das autoras e abre uma nova coleção dedicada à preservação de memórias nacionais.
Gravado ao longo de dois dias na Kaza 123, um quilombo urbano localizado em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, o encontro aborda temas como racismo, maternidade, envelhecimento, amizade e o papel das experiências pessoais na criação literária. A publicação também antecipa o documentário homônimo, dirigido por Estevão Ribeiro, previsto para estrear em festivais em 2027. Durante o lançamento, Conceição Evaristo destacou que o conceito de escrevivência ultrapassa o relato autobiográfico e envolve a criação ficcional a partir da realidade vivida, reforçando a importância da memória na construção da literatura.
As autoras também defenderam a necessidade de ampliar os registros sobre escritores negros e preservar suas histórias para as futuras gerações. Segundo Conceição, a literatura brasileira ainda possui uma dívida histórica com mulheres e autores negros. Já Eliana Alves Cruz ressaltou que iniciativas como Escreviventes ajudam a preencher essa lacuna, embora ainda existam desafios para transformar essas narrativas em produções audiovisuais. A obra chega como um importante registro da produção intelectual negra e da valorização da memória cultural brasileira.


