O avanço das operações contra o garimpo ilegal está alterando a dinâmica da exploração de ouro na Amazônia. Grupos que atuavam em áreas conhecidas passaram a buscar novos territórios, abrir frentes subterrâneas e usar outras rotas para retirar o minério da região.
Relatórios de inteligência obtidos pela imprensa indicam que facções criminosas e milícias ampliaram sua participação no negócio. A mudança dificulta o trabalho dos órgãos de fiscalização e cria novos pontos de pressão sobre comunidades indígenas e áreas protegidas.
A expansão do garimpo ganhou força durante o governo anterior. Na Terra Indígena Yanomami, entre Roraima e Amazonas, a presença de cerca de 20 mil invasores provocou uma crise ambiental e humanitária.
Com o reforço das ações federais a partir de 2023, parte da atividade migrou para outros territórios. Na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, a exploração passou a alimentar divisões entre moradores e conflitos sobre a presença dos garimpeiros.
Além de destruir a floresta e contaminar rios, a extração clandestina sustenta redes de lavagem e exportação ilegal de ouro. O cenário exige fiscalização permanente, rastreamento da cadeia mineral e proteção às comunidades que sofrem pressão do crime organizado.


