A NASA e o Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos iniciaram uma missão para estudar tempestades formadas sobre grandes incêndios florestais. Conhecidas como pirocumulonimbus, essas nuvens podem produzir ventos, raios e condições capazes de ampliar o próprio fogo que lhes deu origem.
O fenômeno ocorre quando o calor intenso empurra rapidamente o ar para as camadas superiores da atmosfera. A corrente leva umidade e grande quantidade de fumaça, formando nuvens muito altas e carregadas de partículas.
A fumaça pode reduzir a chuva que chegaria ao solo, enquanto os raios e as rajadas espalham brasas e iniciam novos focos. Por isso, a formação dessas tempestades é considerada um sinal de que o incêndio atingiu comportamento extremo e se tornou ainda mais difícil de controlar.
O projeto INSPYRE utiliza aviões de pesquisa, radares, sensores a laser e balões meteorológicos. Uma aeronave coleta amostras no interior das nuvens, enquanto outra voa acima delas para acompanhar a fumaça lançada na estratosfera.
Na altitude elevada, as partículas permanecem por mais tempo, absorvem luz solar, alteram correntes atmosféricas e podem participar de reações que afetam a camada de ozônio. Durante os incêndios australianos de 2019, tempestades desse tipo levaram aproximadamente 1 milhão de toneladas de fumaça à baixa estratosfera.
Os pesquisadores querem responder quais incêndios geram pirocumulonimbus, o que determina a quantidade de fumaça transportada e como essas partículas interferem no equilíbrio de radiação do planeta.
A missão prevê voos regulares até setembro. A expectativa é que medições mais detalhadas melhorem a previsão do fenômeno e ofereçam informações úteis para equipes que enfrentam incêndios cada vez mais frequentes e intensos.
Imagem gerada por IA.


