Governo começa a notificar usuários de aparelhos com registro de crime e quer apertar o cerco contra a receptação
Comprar celular usado sem checar a procedência pode ficar bem mais arriscado. O governo federal começou uma nova etapa do programa Celular Seguro e passou a notificar usuários de aparelhos com suspeita de roubo, furto ou extravio.
A lógica agora é simples: se um telefone tiver registro vinculado a crime e for habilitado novamente, quem estiver usando poderá receber uma comunicação oficial orientando a devolução do aparelho. A medida tenta atacar um elo central desse mercado: a circulação de celulares roubados entre pessoas que compram sem saber — ou fingem não saber — de onde o aparelho veio.
Neste primeiro momento, as notificações começaram a ser enviadas a uma parte dos usuários identificados nessa situação, mas a intenção é ampliar o alcance. A base usada reúne informações de ocorrências registradas nos últimos anos e cruza esses dados para localizar aparelhos que continuam ativos.
O recado do governo é que, em um primeiro momento, será presumida boa-fé. Mas essa margem tem limite. Se o celular não for devolvido, o caso pode evoluir para consequências mais sérias, inclusive na esfera criminal.
Na prática, a medida muda o jogo para quem compra smartphone de origem duvidosa só porque o preço está “bom demais”. E reforça uma mensagem que deve ganhar força daqui para frente: aparelho roubado pode até trocar de mão, mas agora tem mais chance de continuar deixando rastro.


