A França está na semifinal da Copa do Mundo de 2026. E, como já virou hábito nesta campanha, quem carregou o time foi Kylian Mbappé — mesmo depois de um tropeço que, em outros tempos, teria abalado o camisa 10. Os Bleus venceram o Marrocos por 2 a 0, em Boston, numa reedição da semifinal de 2022, e seguem firmes na caça ao título que escapou por pouco no Catar. Foi um jogo de padrão conhecido: França com a bola e o talento, Marrocos com a organização e a resistência. No fim, o talento venceu.
O roteiro quase deu errado para o favorito. Ainda no primeiro tempo, aos 27 minutos, Mbappé teve nos pés a chance de abrir o placar de pênalti, após Mazraoui derrubá-lo na área. Bateu mal e viu Bono defender — a sexta penalidade desperdiçada em tempo normal nesta Copa. Foi o tipo de erro capaz de mudar o humor de um mata-mata. Mas Mbappé não é de se abater por muito tempo.
O golaço da redenção e a artilharia dividida com Messi
A resposta veio na etapa final. Aos 14 minutos do segundo tempo, Doué serviu Mbappé, que, de frente para a marcação de Diop, ajeitou e soltou um chute colocado de perna direita para abrir o placar. Um golaço de redenção, daqueles que apagam o pênalti perdido e recolocam o craque no centro da história. Com ele, o capitão francês chegou a oito gols na competição e igualou Lionel Messi na artilharia da Copa de 2026 — ficando a apenas um do argentino na artilharia histórica de todos os Mundiais. A rivalidade à distância entre os dois segue viva, capítulo a capítulo.
Seis minutos depois, veio a tranquilidade. Dembélé arrancou pelo meio-campo, ajeitou e bateu rasteiro para fazer o segundo. Foi o quinto gol do atacante no torneio, coroando uma atuação em que ele, ao lado de Olise, deu à França a criação que faltou ao Marrocos. Com 2 a 0, o jogo estava resolvido.
O Marrocos que resistiu, mas não conseguiu criar
Não é que o Marrocos tenha jogado mal. A seleção de Mohamed Ouahbi fez o que sabe: fechou-se, apostou na solidez defensiva e tentou as transições. Segurou o 0 a 0 até o intervalo, ajudada por um Bono seguro e pelo pênalti perdido de Mbappé. Mas há um limite para o que a organização defensiva consegue fazer diante de um ataque do nível do francês — e esse limite apareceu quando as linhas marroquinas baixaram no segundo tempo.
O dado é impiedoso: o Marrocos só conseguiu sua primeira finalização com quase 40 minutos da etapa final. Faltou aos africanos o poder de fogo para transformar resistência em perigo real. Ainda assim, a campanha é para poucos: o Marrocos se despede como a primeira seleção africana a alcançar as quartas de final em duas Copas consecutivas, confirmando que o feito de 2022 não foi acaso. Saiu de cena, novamente diante da França, de cabeça erguida.
A França de sempre: eficiente, profunda e liderada por Mbappé
Há algo assustador na regularidade francesa. É a terceira semifinal consecutiva de Copa do Mundo — nas duas anteriores, os Bleus chegaram à final — e a oitava da história. Um time que combina defesa sólida, banco farto e o melhor atacante do planeta em fase artilheira. Contra o Marrocos, a França nem precisou de sua melhor versão: bastou administrar a posse, esperar o momento e deixar Mbappé e Dembélé resolverem.
O que vem agora
A França aguarda o vencedor de Espanha e Bélgica, que se enfrentam nesta sexta-feira, em Los Angeles, para conhecer seu adversário na semifinal. Seja quem for, será um teste mais duro do que o imposto pelo Marrocos — mas os Bleus chegam embalados, com 100% de aproveitamento até aqui no mata-mata e a sensação de que, enquanto Mbappé estiver em campo, sempre haverá uma saída.
O pênalti perdido em Boston vai ser esquecido. O golaço que veio depois, não. E a França, mais uma vez, está a dois jogos de erguer a taça — carregada, como quase sempre, pelo camisa 10 que transforma até um erro em prólogo de mais uma noite decisiva.


