Santos derrete no fim, perde para o Botafogo e volta à dura realidade

Data:

Foram algumas semanas de férias para os olhos. Messi driblando ingleses, Yamal humilhando a França, viradas épicas, golaços de encher a alma numa Copa do Mundo que ainda vai nos presentear com uma final e uma disputa de terceiro lugar. E então, na volta do Brasileirão, o despertador tocou da pior forma possível: 90 minutos de Botafogo 2 a 1 Santos no Nilton Santos para lembrar, com uma pancada, que o nosso futebol de todo dia é isto aqui. Pobre, truncado, tenso — e, no caso do Santos, francamente deprimente.

Sair da elegância técnica de uma semifinal de Copa e cair num jogo em que a defesa do Santos protagoniza um lance “digno dos Trapalhões” para entregar o gol da derrota nos acréscimos é o tipo de choque de realidade que dói. Não é implicância: é o retrato honesto de um campeonato em que dois times que já foram gigantes brigam, na 19ª rodada, não pelo título, mas para não cair. E o Santos, mais uma vez, fez por merecer o pesadelo.

O roteiro de uma equipe sem confiança

Até que o Santos começou bem. Foi ligeiramente superior no primeiro tempo, teve Miguelito, Barreal e Rollheiser criando, acertou a trave, obrigou Léo Linck a boas defesas. Mas fez o que times mal construídos e sem confiança costumam fazer: não aproveitou, e foi punido. O Botafogo abriu o placar num golaço do garoto Lucas Emanuel, de 17 anos — talvez a única coisa realmente bonita da noite —, aproveitando erro na saída de bola santista.

O Santos ainda buscou o empate no segundo tempo, com Barreal aproveitando uma sobra em lance confuso. Mas quando parecia que arrancaria um ponto que já seria pouco para suas ambições, entregou tudo. No último lance, Brazão e Luan Peres se atrapalham de forma vexatória dentro da própria área, a bola sobra para Kadir, e o Botafogo decreta o 2 a 1. Um gol que não se explica pela qualidade do adversário, mas pela desorganização crônica de um Santos que parece sempre à beira do colapso.

A realidade que a Copa mascarou

Durante um mês, foi fácil esquecer. A Copa do Mundo nos anestesiou com o melhor do futebol mundial, e por algumas semanas ninguém precisou pensar na tabela do Brasileirão, nas fragilidades dos nossos clubes, no abismo que separa o que vemos lá fora do que temos aqui dentro. A bola parou de rolar nos gramados americanos por um dia, e o retorno foi brutal.

Porque o Santos que voltamos a ver não é o Santos de Pelé, nem sombra dele. É uma equipe em 15º lugar, a um ponto da zona de rebaixamento, desfalcada de seus poucos nomes de peso, dependente de lampejos que não vêm, tecnicamente pobre e emocionalmente frágil. Ver o clube mais mítico do futebol brasileiro brigando contra o Z4, entregando gols em erros infantis, é o resumo melancólico do momento do nosso futebol de clubes — e o Santos, hoje, é o símbolo mais doloroso disso.

O contraste que envergonha

Não se trata de exigir que o Brasileirão tenha o nível de uma Copa do Mundo. Nenhuma liga tem, e a comparação é naturalmente injusta. Mas há uma diferença entre não ter o brilho das estrelas e jogar o futebol arrastado, sem ideia e sem intensidade que o Santos ofereceu no Nilton Santos. O problema não é a falta de um Messi. É a falta de organização, de projeto, de um mínimo de competência coletiva que impeça uma defesa de transformar a reta final de um jogo importante numa comédia pastelão.

O Botafogo, que também não fez nada de extraordinário, levou os três pontos porque foi menos ruim e mais oportunista. Sobe na tabela, respira. O Santos afunda, encara mais uma semana de pressão e um ambiente cada vez mais pesado, com a sombra do rebaixamento crescendo a cada rodada.

O que fica

A Copa do Mundo vai nos dar, ainda, uma final entre Argentina e Espanha e uma decisão de terceiro lugar — mais alguns dias de futebol de altíssimo nível antes de a realidade se impor de vez. Quando a bola parar de rolar nos Estados Unidos, sobrará isto: o Brasileirão da vida real, com o Santos brigando para não cair e nos lembrando, jogo após jogo, da distância triste entre o sonho e o cotidiano.

Foi bom enquanto durou. Mas o Botafogo 2 a 1 Santos veio para avisar, sem dó: acabou o recreio. Bem-vindos de volta à dura, pobre e deprimente realidade do futebol que é realmente o nosso. E que, no caso do Santos, anda mais para pesadelo do que para qualquer outra coisa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Compartilhe

Newsletter

spot_imgspot_img

Mais Lidos

Leia Mais

São Sebastião registra avistamento raro de baleia-franca

Um passeio que deveria proporcionar o encontro com baleias-jubarte...

São Vicente prevê R$ 800 milhões para obras de drenagem

São Vicente está ampliando os investimentos em drenagem e...

Guarujá instala 315 aparelhos e amplia climatização nas escolas

A climatização das escolas em Guarujá entrou em uma...

Cubatão promove feira de reciclagem para servidores municipais

Servidores públicos de Cubatão poderão trocar materiais recicláveis por...