A Polícia Federal indiciou 16 pessoas na investigação sobre a queda do avião da Voepass que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024. Entre os responsabilizados estão o presidente da empresa, ex-diretores, pilotos e funcionários ligados à manutenção e ao controle operacional.
Quinze investigados foram enquadrados por atentado contra a segurança do transporte aéreo. Outro poderá responder por falsidade ideológica. As penas previstas variam de quatro a 12 anos e podem ser ampliadas conforme a responsabilidade atribuída a cada envolvido.
O relatório da PF aponta fraudes em registros de manutenção, falhas no despacho da aeronave e uma cultura interna de omissão de problemas técnicos. Segundo os investigadores, o avião foi exposto ao perigo quatro vezes no dia do acidente e não apresentava condições adequadas para continuar operando.
A perícia analisou dados de 136 voos realizados pelo ATR 72-500. Os registros mostraram episódios anteriores de falha no sistema de degelo, inclusive no trajeto que antecedeu o acidente, sem que os problemas fossem formalmente anotados no livro técnico da aeronave.
A Justiça Federal aceitou uma medida cautelar que impede os indiciados de deixar o país. A PF não pediu prisões preventivas. O inquérito seguirá para o Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia criminal à Justiça.
Em nota, a Voepass declarou que a segurança operacional sempre foi prioridade, afirmou que a tripulação era experiente e disse colaborar com as investigações. A empresa ressaltou que o indiciamento integra a fase investigativa e que exercerá o direito de defesa nos próximos atos do processo.


