O crescimento dos mercados de previsão nos Estados Unidos está sendo acompanhado por suspeitas de manipulação e uso de informações privilegiadas. Em apenas três meses, a plataforma Kalshi encaminhou 32 casos de possíveis irregularidades à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities, a CFTC.
Essas plataformas permitem apostar em resultados políticos, esportivos, econômicos, científicos e culturais. O modelo movimenta valores cada vez maiores, mas abre espaço para que pessoas com acesso antecipado a decisões ou eventos obtenham vantagem sobre outros participantes.
A legislação americana que pune o uso de informação privilegiada em ações e commodities não se aplica automaticamente a todas as situações nesses mercados. Ao mesmo tempo, a CFTC opera com o menor quadro de funcionários em pelo menos 50 anos.
Um dos casos conhecidos envolveu o ex-deputado George Santos, que ganhou US$ 17 mil ao apostar se compareceria ao discurso presidencial sobre o Estado da União. Depois de indicar publicamente que participaria do evento, ele não apareceu. A CFTC aplicou uma multa de US$ 35 mil por manipulação e engano de investidores.
Outro ponto de preocupação são os mercados em que usuários apostam se determinada palavra será pronunciada durante uma transmissão. Nos dez meses encerrados em maio, esse segmento movimentou US$ 257 milhões e pode ser facilmente influenciado por quem controla ou conhece previamente o roteiro.
Entidades esportivas defendem restrições a apostas sobre decisões conhecidas por poucas pessoas, como escalações e negociações de atletas. A discussão ocorre em meio ao crescimento político do setor e à pressão das empresas por regras menos restritivas.
Imagem gerada por IA.


