A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva mal havia sido confirmada quando investidores começaram a vender ações e comprar dólares em massa. No primeiro pregão após a votação, nesta segunda-feira (26), o Ibovespa caiu 13,88%, aos 176.357 pontos, e o dólar comercial subiu 8,21%, para R$ 5,403.
A cena é conhecida: quando as urnas contrariam as apostas de parte do mercado, instala-se o alarme de que a economia estaria ameaçada antes mesmo de qualquer nova medida de governo. Foi assim em outras disputas, como na reeleição de Dilma Rousseff em 2014. A reação desta segunda-feira foi muito mais intensa, mas continua sendo uma reação de investidores ao resultado eleitoral, e não o efeito de uma decisão econômica anunciada por Lula depois da vitória.
Parte dos operadores havia apostado na troca de governo. Derrotada essa expectativa, desfez posições rapidamente. A avalanche de vendas levou a Bolsa a interromper as negociações por meio do circuit breaker. O episódio mostra o tamanho da influência dessas apostas sobre preços que afetam toda a população.
Chamar a movimentação de terrorismo infantil é uma crítica à tentativa recorrente de transformar a preferência política de investidores em sentença sobre o futuro do país. O susto tem consequências reais: o dólar mais caro pode pressionar importados, e a alta dos juros futuros pode encarecer o crédito. Mas um pregão, por pior que seja, não prova que o governo reeleito levará a economia ao fracasso.
O desempenho econômico deve ser cobrado pelas políticas efetivamente adotadas e pelos resultados ao longo do tempo. O voto popular não precisa receber o aval do mercado financeiro para ser respeitado.


