Eduarda Campopiano ataca políticas sociais, mas mãe recebe BPC há pelo menos oito anos

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A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP), conhecida por críticas a políticas sociais destinadas principalmente a mulheres e grupos minoritários, enfrenta questionamentos depois da revelação de que sua mãe recebe um benefício assistencial do Governo Federal há pelo menos oito anos.

De acordo com a coluna de Lauro Jardim, a artesã Débora Campopiano recebe ao menos desde 2019 o Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago pelo Instituto Nacional do Seguro Social. O programa garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência que atendam aos critérios legais de renda.

Discurso político contrasta com realidade familiar

A informação expõe uma contradição no discurso da parlamentar eleita. Enquanto Eduarda construiu parte de sua imagem pública criticando políticas de proteção social e ações dirigidas a grupos vulneráveis, sua própria família é atendida por um dos principais programas assistenciais do país.

O benefício recebido por Débora é um direito previsto em lei e, por si só, não representa irregularidade. A questão política está na distância entre a retórica adotada pela filha e a importância concreta que a rede pública de proteção social tem para milhares de famílias — inclusive a dela.

Critérios do benefício levantam dúvidas

Débora tem 59 anos e, portanto, não alcança o critério de idade mínima de 65 anos. Nesse caso, o pagamento estaria vinculado à modalidade destinada a pessoas com deficiência, além da análise da situação socioeconômica familiar.

Em regra, o BPC considera a renda mensal por pessoa da família e exige inscrição no Cadastro Único. A composição do grupo familiar é relevante para essa avaliação. A assessoria de Eduarda não informou à coluna se a deputada mora com a mãe.

Dados da Câmara Municipal de Praia Grande mostram que Eduarda já atuava como comentarista da Jovem Pan antes de assumir o mandato de vereadora em 2025. Ao entrar no Legislativo municipal, passou a receber remuneração superior a R$ 10 mil mensais.

Mãe divulga cursos pela internet

A mãe da deputada mantém um perfil com mais de 28 mil seguidores no Instagram, onde divulga cursos de produção de bonecas artesanais e de pano. Há publicações com ofertas pagas, incluindo curso anunciado por R$ 67 à vista ou parcelado.

A eventual existência de atividade comercial também pode ser considerada na análise da renda, mas não há informação pública suficiente para afirmar quanto ela recebe com os cursos ou se esses valores alteram o direito ao benefício. A assessoria de Eduarda não esclareceu se os rendimentos foram informados ao INSS.

Sem esses dados, não é possível concluir que houve irregularidade na concessão ou manutenção do BPC. O episódio, contudo, reforça a cobrança por coerência de agentes públicos que atacam programas sociais enquanto pessoas próximas dependem das mesmas políticas para garantir renda e proteção.

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